• Fabio Marques

Generosidade e as Fases da Vida Financeira

Considerando as fases de nossa vida financeira, há um momento mais apropriado para exercitarmos a generosidade? E quais são os riscos de se esperar pelo momento ideal e perder oportunidades valiosas de impactar a nossa sociedade e transformar vidas desde já?


Uma visão renovada do Planejamento Financeiro Pessoal pode ajuda-lo(a) a lidar com esse dilema.


Há alguns dias atrás fui desafiado por um amigo a escrever e registrar os meus pensamentos sobre o exercício da generosidade ao longo das diversas fases que caracterizam a nossa vida financeira. Achei interessante o desafio e quero convidá-lo(a) a refletir comigo sobre o tema.


Afinal, há diferentes formas de se praticar a generosidade dado o seu momento de vida, ou a generosidade é um conceito que se sobrepõe às circunstâncias, e que, portanto, deveria pautar e não ser pautada pelas fases da vida financeira?


Segundo Marcos Silvestre[1], podemos entender as fases de nossa vida financeira com base nos seguintes intervalos temporais:


1) De 0 a 25 anos: Fase da Capacitação;

2) De 25 a 35 anos: Fase da Construção;

3) De 35 a 45 anos: Fase da Conquista;

4) De 45 a 60 anos: Fase da Consolidação;

5) De 60 a 80 anos: Fase da Superação, e

6) Acima de 80 anos: Fase da Contemplação.


Não há dúvidas quanto à importância de se identificar com clareza quais as principais características de cada uma destas fases, e como devemos nos planejar para enfrentar os desafios inerentes a cada uma delas. Vamos então, de forma direta e objetiva, entender os seus principais elementos e então relacioná-los com o exercício da generosidade.


Na Fase da Capacitação (0 a 25 anos), o aprendizado e o acesso a informação são fundamentais. Nessa fase é quando uma estrutura de conceitos, visão de mundo e hábitos é criada, e por consequência, são estabelecidos os traços básicos da formação do caráter. Começar bem faz toda a diferença! Quantos não desejam ter tido a oportunidade de recomeçar... “Ah se eu pudesse voltar no tempo e colocar em prática tudo o que vida me ensinou ao longo dos anos!” Neste sentido, assim como a boa informação e formação sobre conceitos financeiros e bons hábitos de gestão orçamentária, a inclusão da generosidade na agenda da capacitação, particularmente nessa fase inicial da vida financeira, será determinante para o desenvolvimento de uma atitude correta e positiva em relação ao dinheiro.


Deixar de incorporar o exercício intencional da generosidade é o grande risco nesta fase da vida financeira, pois certamente muitos outros fatores competirão diretamente pela utilização do dinheiro nas fases futuras, tornando ainda mais desafiadora a sua inclusão na pauta do planejamento e gestão financeira cotidiana mais para frente.


Um bom exemplo da competição pelos seus recursos financeiros é percebido na Fase de Construção (25 a 35 anos). Aqui você provavelmente viverá momentos intensos, que naturalmente serão acompanhados das decisões mais importantes de sua vida. O casamento, a definição de uma trajetória profissional, a crescente clareza sobre os seus objetivos de vida a mais longo prazo, e obviamente, a pressa quase que indomável para realiza-los. A tentação pelo consumo e desfrute imediato daquilo que o dinheiro consegue lhe proporcionar acrescentam um risco adicional às suas finanças: o endividamento. Num momento onde o foco de sua vida financeira tende a estar tão direcionado aos seus próprios objetivos e necessidades (muitas vezes em níveis muito superiores ao que realmente precisa!), como encaixar a prática da generosidade? Talvez essa seja a fase em que você mais será tentado a pensar que não há ninguém no mundo com necessidades maiores que as suas... o que um olhar rápido e honesto ao seu redor facilmente indicará o contrário.


Ah, a Fase de Conquista (35 a 45 anos)! Essa fase tende a ser marcada pelo atingimento de sua maturidade profissional, e provavelmente você se perceberá no auge de sua capacidade de geração de riqueza. A experiência já acumulada e a energia e disposição para seguir conquistando objetivos colocam você numa posição privilegiada. A essa altura, você já terá um padrão de qualidade de vida bem definido e provavelmente já terá conquistado alguns de seus objetivos de vida mais relevantes: um imóvel próprio, o seu carro, e até mesmo viagens a lugares dos sonhos de seus tempos de faculdade. No entanto, alguns desafios ainda estarão presentes e com o passar dos anos se tornarão cada vez mais importantes e necessários (e mais caros!): o seu plano de saúde e o seu seguro de vida. Sem contar a aposentadoria, que mais do que nunca, passa a ser parte de suas prioridades na alocação de suas reservas financeiras. Veja como fase após fase, a competição pelos seus recursos cresce e o espaço para o exercício da generosidade se estreita. Mas ainda temos um caminho a percorrer.


O intervalo de 45 a 60 anos marca a Fase da Consolidação, quando alguns novos elementos (e riscos) passam a tomar sua atenção. E se eu perder o emprego? E se a poupança acumulada não for suficiente? E se eu tiver que abrir mão do padrão de vida atual? Sem contar com os gastos extras que os filhos podem representar nessa fase, com viagens de formatura, casamento, faculdades no exterior, etc. Motivos não faltarão para você assumir uma postura cautelosa em relação ao futuro... e colocar o exercício da generosidade em segunda, terceira, quem sabe quarta prioridade em sua agenda financeira.


Dos 60 a 80 anos estaremos na Fase da Superação. Assim como na Fase de Construção, talvez essa etapa da vida financeira ofereça uma das mais drásticas transições em relação ao ritmo de atividades, hábitos e prioridades. É o momento de desacelerar pra valer. O sentimento de missão cumprida acompanha a necessidade de manter-se ativo, notadamente através de iniciativas que privilegiem o compartilhar das ricas experiências acumuladas. Finalmente o legado financeiro passa a visitar a pauta de suas prioridades e, ações de caridade e ajuda ao próximo já não soam tão descoladas de sua realidade.


A passagem para a Fase de Contemplação (após 80 anos) é marcada pela sabedoria adquirida ao longo dos anos vividos. É poder ponderar, a partir de um lugar mais elevado, sobre o que realmente terá valido a pena. As batalhas travadas, as vitórias conquistadas, as derrotas impostas, as lições aprendidas... o que se acumulou, o que se compartilhou...


Mas a pergunta do meu amigo permanece sem resposta: Como, afinal de contas, podemos expressar e exercitar a generosidade em cada fase da vida financeira?


Com base no que resumidamente expusemos sobre cada uma delas, talvez possamos responder: Sempre da mesma forma!


O exercício da generosidade é a prática do amor ao próximo, da observância e submissão a princípios da fé cristã, os quais independem e de forma alguma se submetem às demandas e imposições ditadas por cada uma das fases de nossa vida financeira.


As fases de nossa vida financeira não devem pautar o padrão do exercício de nossa generosidade. Elas simplesmente nos ajudam a mapear e compreender quais são os principais riscos que vamos encontrar ao longo do caminho para coloca-la em prática.


E o maior perigo de condicionar a prática da generosidade às fases da vida financeira é postergar até o último minuto a oportunidade de impactar e transformar a vida de quem mais necessita através de nossos recursos (bem como de nosso potencial de geração de riqueza ao longo da vida), limitando de forma irreversível o alcance de nossas ações e restringindo seu impacto ao que restou de tudo que fomos capazes de gerar em vida. Ou seja, oferecer apenas “sobras” a uma causa tão nobre.


Cabe ressaltar que a generosidade é uma atitude do coração, e portanto, não se submete a critérios absolutos de medida. Doar mil reais não necessariamente indica uma ação mais generosa comparada a uma doação de 10 reais. Uma doação de mil reais, onde o doador numa atitude certamente louvável retira este montante de seu estoque de um milhão de reais, representaria apenas 0,1% de sua riqueza. Já um doador que abre mão de 10 reais de um estoque de 100 reais, terá contribuído, muito provavelmente de forma sacrificial, com 10% de seus recursos. É sobre uma atitude de generosidade que estamos falando, e isso independe de circunstâncias por ser a generosidade uma disciplina espiritual.


Certamente devemos tratar o tema com muita responsabilidade e a partir de uma atitude alinhada a princípios de generosidade estabelecer os objetivos adequados ao nosso planejamento financeiro. Nós da Bridgen Financial Planning (www.bridgen.com.br) queremos ajuda-lo(a) neste sentido, colocando à sua disposição ferramentas e recursos para tanto. Abraçamos o objetivo de promover uma nova abordagem para o planejamento financeiro pessoal, onde a prosperidade material é apenas um meio, e não um fim em si mesmo.


Acreditamos que a nossa riqueza é multiplicada quando compartilhada intencionalmente com quem mais necessita, e que o planejamento financeiro é a ferramenta essencial para catalisar um círculo virtuoso de generosidade e impacto em nossa sociedade.


Quer falar mais a respeito e entender como o planejamento financeiro pessoal pode ajuda-lo(a) a incorporar de forma intencional e impactante a prática da generosidade em sua vida financeira? Será um prazer conhece-lo(a)!


Por favor não deixe de entrar em contato pelo e-mail contato@bridgen.com.br. Esperamos por você!



_________________________________________ [1] Para maiores informações recomendo a leitura de “12 Meses Para Enriquecer: O Plano da Virada” – Lua de Papel, 2010 – Silvestre, Marcos



65 views0 comments

Recent Posts

See All