• Fabio Marques

O Planejamento Financeiro em Tempos de Crise

Como é difícil falar sobre dinheiro! Ainda mais em tempos de crise.



Falar a respeito de dinheiro nunca foi fácil, ainda mais em tempos de crise como a que atravessamos neste exato momento. Numa pesquisa realizada nos Estados Unidos[1], quando perguntadas sobre qual tema do dia-a-dia tinham maior dificuldade para conversar, 44% das pessoas entrevistadas responderam “finanças pessoais”! Outros temas como morte, política e religião registraram percentuais inferiores deixando claro que o tema “dinheiro” merece uma atenção especial.

O fato é que o dinheiro está relacionado a aspectos muito mais íntimos de nossa existência. Podemos dizer que o dinheiro está diretamente relacionado às questões do coração, entendendo o coração humano como sendo a essência do que somos, englobando mente, afeições e vontade. Talvez daí surja a dificuldade natural em torno do tema, pois a nossa relação com o dinheiro pode ser bastante reveladora em relação às nossas paixões, prioridades, motivações. Experiências passadas, traumas e frustrações podem se refletir de formas variadas quando lidamos com dinheiro. Gastos compulsivos, no intento de superar carências ou de manter as aparências de que tudo vai bem. Ou o medo de um futuro incerto, ou o desejo (e a ilusão) de se controlar o incontrolável, que leva à mesquinhez de quem acredita que “poupar” cada centavo será a solução para todas as dúvidas que o futuro pode trazer.

Tempos de crise tornam ainda mais agudo o desconforto emocional causado pela incerteza, insegurança e medo em torno de tudo aquilo que a nossa condição financeira pode representar. Como reagir a essa potencial pressão e onde encontrar um porto seguro, critérios sólidos e bem fundamentados para as nossas decisões financeiras?

Vou usar uma comparação entre o termômetro e o termostato para ilustrar o que acredito ser um primeiro passo importante para nos posicionarmos diante dos desafios que os tempos de crise impõem. Veja que o termômetro é um instrumento caracterizado pela sua passividade. Para que ele informe a temperatura basta que ele repouse inerte e assim teremos as medidas de frio ou calor no ambiente. Ele também acompanhará qualquer alteração da temperatura no local. Diferentemente, o termostato é o instrumento que nos permite definir a temperatura. Sua função é imprescindível para diversas atividades, desde experimentos químicos complexos (incluindo os gastronômicos) até a manutenção de uma temperatura agradável da sala de espera de um consultório médico numa tarde de verão. A questão sobre aceitar passivamente as influências externas ou posicionar-se frente a elas, de forma intencional, é central para encararmos os desafios impostos pela crise a partir da compreensão sobre o que está sob o nosso controle e o que não está.

Vale a pena, portanto, listar princípios básicos da boa gestão e planejamento financeiro que, se praticados diligentemente, resultarão numa base sólida e duradoura para sua vida financeira. Tais princípios reduzirão significativamente a incerteza e o medo atrelados à volatilidade tão comum nos momentos de crise e solavancos econômicos, pois lhe permitirão tomar as rédeas de sua vida financeira e reorientá-la com base em seus valores e propósito de vida.

O primeiro princípio básico é gastar menos do que você recebe. Pode parecer irritantemente óbvio, mas posso lhe assegurar que esse é o desvio de comportamento financeiro mais comum verificado entre as famílias que buscam auxílio de um profissional de planejamento financeiro. O descompasso crônico entre receitas e despesas conduz inevitavelmente a uma situação de endividamento financeiro.

Este é o segundo princípio básico da boa gestão financeira: evite dívidas. O sábio rei Salomão alerta para o perigo das dívidas, comparando o devedor a um escravo: “Assim como o rico domina sobre o pobre, quem toma emprestado se torna servo de quem empresta” (Provérbios 22:7)

Em terceiro lugar, mantenha uma reserva de liquidez. Veja que a constituição de uma reserva financeira só será possível se você for capaz de gerar margem, ou seja, gastar menos do que recebe. É recomendável que este recurso seja mantido em investimentos de alta liquidez. Rentabilidade é importante, mas para esse propósito específico é fundamental que os recursos sejam facilmente disponibilizados mediante eventuais necessidades.

Também é fundamental que você estabeleça os seus objetivos de longo prazo. Quais são as suas “linhas de chegada”? Estabelecer, formalizar e alocar esses objetivos na linha do tempo definirá o ritmo de sua vida financeira e trará clareza e segurança para suas decisões em momentos de crise. Esse é um dos papéis fundamentais de um planejador financeiro pessoal, que poderá auxiliá-lo na estruturação deste projeto de vida.

E por fim, mas não menos importante, cultive a prática de generosidade. Inclua, de forma intencional, esse tema tão relevante em sua agenda financeira. A crise é real e afeta a todos nós, mas o exercício da generosidade não é exclusividade dos mais abastados, e definitivamente não se limita a aspectos financeiros.

Nós da Bridgen Financial Planning promovemos uma nova abordagem para o planejamento financeiro pessoal, onde a prosperidade material é apenas um meio, e não um fim em si mesmo. Acreditamos que a nossa riqueza é multiplicada quando compartilhada intencionalmente com quem mais necessita, e que o planejamento financeiro é a ferramenta essencial para catalisar um círculo virtuoso de generosidade e impacto em nossa sociedade.

Se você quiser saber mais a respeito dos benefícios do Planejamento Financeiro Pessoal, por favor entre em contato conosco pelo e-mail contato@bridgen.com.br. Será um prazer conhece-lo(a)!

[1] Wells Fargo Financial Health Survey 2013

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